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terça-feira, 1 de abril de 2014

Carta de Princípios

Abril de 2014 (Eternamente Provisória)

Acredito em Deus Pai e Mãe, todo poderoso e todo amoroso, criador e sustentador da nossa existência. Ele é bom, nos dá livre arbítrio e quer o nosso bem. Está disposto a nos perdoar, nos ajudar na caminhada diária e a redimir o mundo - não sei como nem quando.

Acredito em Jesus de Nazaré, que foi homem, foi Deus e foi a expressão máxima do amor de Deus. Acredito que o sacrifício na cruz foi fruto de uma vida que contrariou muitos dos padrões da época e promoveu a radicalidade do amor, da justiça e da plenitude. Acredito que a vida de Cristo é exemplo para todos nós.

Acredito no Espírito Santo, Deus que habita em mim e nos meus irmãos, que nos sensibiliza para com as dores do mundo e nos consola em meio às dificuldades. Ele nos auxilia a compreender um pouco mais quem Deus é, quem Cristo foi e quem podemos ser.

Acredito num novo céu e nova terra e no Reino de Deus. Porém, acredito que estes são o nosso céu e a nossa terra em sua plenitude. Ou seja, acredito em uma experiência de vida plena, restaurada por meio de Jesus e da humanidade inspirada por Ele.

Acredito na liberdade da agência humana e acredito que grande parte do que é mal no mundo é fruto de nossas escolhas e da conjuntura que herdamos das escolhas de nossos antepassados. Acredito que tudo que é mal é, na realidade, a ausência de Deus.

Acredito no pecado - algo que nos desvia do alvo, nos faz imperfeitos individual e coletivamente. Algo que afeta nossos mínimos atos cotidianos e toda a realidade que experimentamos. Acredito que só Cristo nos liberta do pecado - e isso se faz cotidianamente, por meio de sua graça, do conhecimento de Deus e por meio de sua Igreja.

Acredito na Igreja, como reunião de pessoas que reconhecem suas imperfeições e buscam em comunidade viver e anunciar o Reino de Deus. Acredito na Igreja como um espaço de formação, crescimento, cuidado e partilha.

Acredito que a vida em comunidade, seja numa instituição, num grupo informal ou numa reunião familiar, é o maior desafio que Cristo nos deixou - e a principal maneira de nos aproximarmos um pouco mais de Deus.

Acredito na possibilidade de experimentarmos uma vida mais próxima da plenitude aqui em terra. E acredito ser vocação dos que creem em Deus promover este projeto de vida. Acredito também que quem promove este projeto de vida se aproxima de Deus, ainda que não dê exatamente este nome a Ele.

Acredito que céu e inferno são assuntos do cuidado de Deus e somente dEle. Penso que o que nos cabe é anunciar a justiça, a redenção, o perdão e o Reino. O resto é tentar correr atrás do vento e dar nome ao inominável.

Acredito na liberdade do pensamento. E de que só preciso ser honesto e falar apenas daquilo que sei ou daquilo em que acredito. Não posso pregar aquilo que não vivo e não acredito.

Nada disso é fixo e inegociável. Pelo contrário, já tive e tenho minhas crises internas. Mas não posso mentir - ainda acredito que isso é pecado.

Viu? Parece que não somos tão diferentes assim.

Assinado: Guilherme Lopes

terça-feira, 18 de junho de 2013

"O Gigante Acordou!" - a minha contribuição aos protestos populares

Ouço dizer "O Brasil Acordou", "finalmente o povo se cansou" e outras formas de comemorar o crescimento expressivo dos movimentos e protestos populares nas cidades brasileiras. É importantíssimo reconhecer os atos como protestos (e não vandalismo, como alguns disseram no começo e logo mudaram de opinião), assim como incentivar e festejar esses episódios de adesão popular em massa. Mas, algumas coisas me preocupam nesse discurso e nos rumos dos eventos.

Antes de tudo, é preciso dizer aos que afirmam "o povo brasileiro nunca protestava, agora resolveu se movimentar!" que isso é, além de uma mentira, um desrespeito com os diversos movimentos sociais, partidos e outras organizações da sociedade que lutam pela construção de uma outra realidade social. Temos diversos grupos e movimentos que, ainda que com números menores, tem contribuído muito para a mudança no Brasil. A história não começou hoje, com nossos atos e fatos. Temos de olhar para trás e ver o acúmulo histórico, político, social e ideológico conquistado, para que todos esses números, essa beleza e comoção não sejam em vão - ou pior, um retrocesso. A ampla participação popular é extremamente preciosa e necessária, mas é necessário tanto quanto isso um projeto alternativo a este que está aí. Se não for assim seremos massa de manobra.

É necessário um projeto popular e democrático, que supere o atual estado das coisas. Que tenha coragem de romper com aquilo que precisa ser rompido, sem medo, sem ressalvas, sem negociação. Que não mais priorize o lucro, privatize sonhos, tipifique pessoas e desumanize o humano. Um sonho possível e utópico, um vir-a-ser construído a muitas mãos. Só que isso não quer dizer abrir mão dos que já estão nessa luta faz tempo, nem negar sua validade, suas conquistas e sua forma de lutar.

Por isso, penso que devemos ter cuidado com essas idéias de "movimento apartidário", "ideologias não me representam" e outras do tipo. O conservadorismo e aqueles que lucram com a exploração e a miséria do outro não precisam de siglas pra se manter no poder, eles já detém o capital. O discurso da "ausência de ideologia" sempre serve a alguma ideologia - normalmente à dominante, aquela que é capaz de abrir mão de uma parte de si pra sustentar o todo, de perder um braço aqui, para se manter lá. 

Só peço que saibamos mirar no inimigo certo.


Clique na imagem pra aprender como NÃO se faz um protesto popular, democrático e verdadeiramente revolucionário.


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Outras contribuições ao debate:
"Ei, reaça, vaza dessa marcha!", por Nata Castro (com contribuição de Guilherme Dal Sasso)

"A tentativa de banir partidos dos protestos", por Leonardo Mattos

"Não podemos nos alinhar aos Datenas, Jabores e Pondés", por Paulo Motoryn

"Pra onde vai o movimento passe livre? E pra onde não deve ir" de Victor Neves, militante do PCB

E, como sempre, Rafucko resumindo muito bem e contribuindo pro debate:

terça-feira, 28 de maio de 2013

Malafaia, PT e PMDB: Coerência pra quê?

Exercício político-ideológico e teológico-eclesiástico:

Silas Malafaia, pastor e principal promotor da Marcha para Jesus do RJ, afirma que o povo evangélico precisa ficar atento ao projeto político e a ideologia do PT, pois ele defende que esta "vai contra o evangelho". Porém, a Marcha se sustenta com dinheiro público daqui do RJ e tem um espaço em sua programação reservado a apoios ao prefeito Eduardo Paes e ao governador Sergio Cabral. Ou seja, Silas Malafaia apoia política e ideologicamente o PMDB do Rio.

Só que o PMDB demonstra ter uma ideologia simples: estar no poder. E ~por acaso~ tem alianças com o PT pra se manter no poder. Ou seja, o PMDB se alia ao PT para assim se sustentar e influenciar no governo, assim como sustenta o atual projeto PTista - projeto este que, como disse lá em cima, "vai contra o evangelho" segundo Malafaia.


Joinha, em Cristo.

A pergunta que fica é: Qual a ideologia do Silas Malafaia no meio dessa brincadeira toda? Criticar o PT e ao mesmo tempo apoiar quem sustenta o PT? Ou, simplesmente, apoiar àqueles que lhe dão espaço para desenvolver seu próprio projeto de poder, ainda que pra isso seja ""incoerente"" com sua ""ideologia""?

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Outra reflexão interessante sobre o tema:
midiareligiaopolitica.blogspot.com.br/2013/05/marcha-para-jesus-no-rio-ganha.html

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Os desafi(n)os de Marina Silva

(Reprodução da Internet)
Marina Silva: “Nem direita, nem esquerda, mas à frente” 
Numa breve (nem tanto) reflexão sobre o atual momento da ex-senadora Marina Silva, sua #redeprópartido e a frase "nem direita, nem esquerda", chuto que, das duas uma:

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Mafalaia vs. Maria Gabriela: A Ideologia em um "Brasil Evangélico"

A entrevista do Silas Malafaia no programa da Marília Gabriela foi muito ruim. Apenas isso.

(reprodução da internet)Desde o início, apenas pela chamada do SBT que circulou na internet, já se percebia claramente o objetivo era a ~polêmica~ que o debate ia trazer. Malafaia é um pastor de "peso" - seja lá o que isso signifique - no cenário evangélico do Brasil, bem como na esfera política e até cultural. Ele é um dos símbolos do que vem se chamando de "brasil evangélico", ou seja, a descoberta recente da relevância dos que tem a fé evangélica em nossa sociedade - descoberta essa mediada pela grande mídia e, principalmente, pelo consumo deste grupo. Tanto essa descoberta é clara, que a própria Marília tem entrevistado alguns desses "grandes nomes" entre os evangélicos, como a cantora Aline Barros, a pastora e conferencista Sarah Sheeva e o próprio Silas Malafaia, entrevistado no último domingo. 

domingo, 13 de maio de 2012

Negra Livre

Esses dias, conversando com minha família, revivemos algumas fases da minha infância até hoje, mais especificamente, minhas “fases capilares”. Em meio a tantas lembranças, percebi quantas vezes tentei modificar meu cabelo, simplesmente por vergonha, por não me achar bonita com ele natural, enrolado e com a raiz crespinha. Naquele momento me entristeci, mas vi que não foi culpa minha, mas sim porque na época da minha infância e adolescência o meu tipo de cabelo não era valorizado e, mais do que isso, era motivo de chacota. Missão impossível era chegar à escola com um cabelo "black" assumido, com os cachos soltos e armados, sem ser alvo de piada ou de olhares tortos, que julgavam aquilo como “exótico", entre outros eufemismos. Era tanto medo! Eu prendia, passava meio pote de creme, gel e escovava até parecer minimamente esticado. Um “frizz” já era morte para mim. Lembro que por volta dos 7 ou 8 anos usava um chapéu diariamente para esconder meu cabelo. Com 12 anos o alisei e foi uma das experiências mais difíceis da minha vida. Aqueles procedimentos eram um “estupro” capilar e, quando me olhava no espelho, não me reconhecia, não me identificava. Era apenas uma tentativa de me adaptar.


segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Redes Sociais, Desserviço e Participação Política


A revista Veja na sua edição do dia 8 de fevereiro de 2012 trouxe em sua capa uma matéria sobre o Facebook. Não vou me dedicar muito aqui sobre essa reportagem, mas sim sobre uma outra matéria tratando de discussões sobre política e outros temas polêmicos na internet, em especial na rede social do momento. O texto "Política não se curte" está disponível nesse link e peço que você o veja antes de continuar lendo meu post.