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domingo, 2 de fevereiro de 2014

Sobre a Esperança Comum

[Reflexões de fim de semana]

O autor do livro de Atos diz assim:

"Da multidão dos que criam, era um só o coração e uma só a alma, e ninguém dizia que coisa alguma das que possuía era sua própria, mas todas as coisas lhes eram comuns" Atos 4:32

Baseado neste texto, o grupo Vencedores por Cristo, compôs um dos clássicos do cancioneiro evangélico brasileiro chamado "Unidade e Diversidade", que diz assim:

"Da multidão dos que creram era só um o coração
E a alma, uma somente, uma semente
Somente uma esperança brotando dentro da gente

Nosso era o pão cada dia, 
Nosso era o vinho, santa folia
O que se parte reparte a própria vida

Galho ligado à parreira, 
vida em comum verdadeira. (...)"

Apesar de todos os pesares, diferenças, contradições, tensões e conflitos, eu tenho fé nisso. Na possibilidade de, a partir daquilo que nos é Comum - e daquilo que nós tornarmos comum, aquilo que compartilhamos - superarmos a opressão, a desigualdade, o sofrimento. De construirmos pontes, caminhos e diálogos que proponham uma vida, uma sociedade, um mundo melhor.

Tenho fé, mas também tenho clareza do constante desafio que isto é. A vida em comunidade não é simples, talvez ainda mais em tempos individualizantes e privatizantes como o nosso. Ainda mais em tempos em que a diversidade soa cada vez mais desafiadora e conflituosa. Além do desafio de diferenciar quem está pra somar e quem só quer atrasar a mudança. Quem é e quem não é.

A questão que recentemente tem me assolado é essa:
- como, sem abrir mão da diversidade, construir e experimentar projetos comuns de vida que superem, e não só amenizem, nossa realidade tão sofrida e desigual? 

Acho que a resposta não virá tanto da reflexão apenas, mas da prática. Do caminhar junto, dos pequenos desafios cotidianos, das pequenas vitórias diárias. Ao sujarmos a beira de nossas calças e arregaçarmos nossas mangas diante dessa realidade assustadoramente bela, contraditória, complexa e sublime.

Viver construindo o que esperamos.
Esperar é caminhar.

Caminhemos.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Mafalaia vs. Maria Gabriela: A Ideologia em um "Brasil Evangélico"

A entrevista do Silas Malafaia no programa da Marília Gabriela foi muito ruim. Apenas isso.

(reprodução da internet)Desde o início, apenas pela chamada do SBT que circulou na internet, já se percebia claramente o objetivo era a ~polêmica~ que o debate ia trazer. Malafaia é um pastor de "peso" - seja lá o que isso signifique - no cenário evangélico do Brasil, bem como na esfera política e até cultural. Ele é um dos símbolos do que vem se chamando de "brasil evangélico", ou seja, a descoberta recente da relevância dos que tem a fé evangélica em nossa sociedade - descoberta essa mediada pela grande mídia e, principalmente, pelo consumo deste grupo. Tanto essa descoberta é clara, que a própria Marília tem entrevistado alguns desses "grandes nomes" entre os evangélicos, como a cantora Aline Barros, a pastora e conferencista Sarah Sheeva e o próprio Silas Malafaia, entrevistado no último domingo

domingo, 13 de maio de 2012

Negra Livre

Esses dias, conversando com minha família, revivemos algumas fases da minha infância até hoje, mais especificamente, minhas “fases capilares”. Em meio a tantas lembranças, percebi quantas vezes tentei modificar meu cabelo, simplesmente por vergonha, por não me achar bonita com ele natural, enrolado e com a raiz crespinha. Naquele momento me entristeci, mas vi que não foi culpa minha, mas sim porque na época da minha infância e adolescência o meu tipo de cabelo não era valorizado e, mais do que isso, era motivo de chacota. Missão impossível era chegar à escola com um cabelo "black" assumido, com os cachos soltos e armados, sem ser alvo de piada ou de olhares tortos, que julgavam aquilo como “exótico", entre outros eufemismos. Era tanto medo! Eu prendia, passava meio pote de creme, gel e escovava até parecer minimamente esticado. Um “frizz” já era morte para mim. Lembro que por volta dos 7 ou 8 anos usava um chapéu diariamente para esconder meu cabelo. Com 12 anos o alisei e foi uma das experiências mais difíceis da minha vida. Aqueles procedimentos eram um “estupro” capilar e, quando me olhava no espelho, não me reconhecia, não me identificava. Era apenas uma tentativa de me adaptar.


segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Redes Sociais, Desserviço e Participação Política


A revista Veja na sua edição do dia 8 de fevereiro de 2012 trouxe em sua capa uma matéria sobre o Facebook. Não vou me dedicar muito aqui sobre essa reportagem, mas sim sobre uma outra matéria tratando de discussões sobre política e outros temas polêmicos na internet, em especial na rede social do momento. O texto "Política não se curte" está disponível nesse link e peço que você o veja antes de continuar lendo meu post.